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domingo, 23 de janeiro de 2011

Segundo semestre 2010

Meu trabalho final de Antiga 1 ...


O Filosofo nos livros VI e VII da República de Platão.



Irei mostrar nesse trabalho a relação entre a política no pensamento platônico, e a formação (educação) da alma do filosofo que devera governar a cidade. A obra analisada é A República, Livros VI e VII, onde Platão descreve o seu ideal de justiça que será o caminho que o filosofo devera seguir, para governar a cidade idealizada por ele. Irei utilizar também o Dialogo Fédon, a fim de explicar como a filosofia é um exercício de vida, para a morte.
Na Filosofia Platônica a educação esta inteiramente liga a política, pois é através da educação que a alma do filosofo atingira a condição de governante da polis.
Na República nos livros VI e VII, Platão utiliza das alegorias para deixar em foco a natureza do corpo, da alma, e a natureza do bem. Através da educação da alma e do corpo, o homem ira enxergar que o bem é o saber mais elevado que ele pode alcançar. Na alegoria da linha esse caminho que devera ser percorrido pela alma do filosofo é exposto. Platão nessa alegoria nos convida a imaginar uma linha que possui a função de mostrar a relação entre corpo e alma. As duas partes humanas, corpo e alma, pertencem a duas espécies distintas e complementares: a sensível (visível) e a inteligível (invisível). A primeira espécie, a sensível (eíkones), é divida em duas partes: a dimensão que conhecemos as coisas através de suposição (eikasía) e a dimensão dos seres vivos e artefatos que conhecemos através da fé (pístis,dóxa).Essa espécie de sensível se refere a esfera das aparências(da dóxa),uma forma deficiente do ser.Muitas vezes o seu ser aparece como sendo verdade,porem as vezes,obscurece o espírito quando aparece em forma de não-verdade.Todo conhecimento obtido através da suposição e fé,pertence a dimensão da opinião.Nesse segmento da linha,os homens não possuem a verdade,consideram apenas as coisas como elas aparecem diante deles.Esse segmento pertence aos homens do cotidiano  que se acomodam ,aceitam os fatos como eles o aparecem,não buscando a sua verdadeira origem.Por causa disso que o cotidiano se apresenta como a morada da não-verdade,pois ela faz do cotidiano um lugar das aparências.O segmento da linha que representa o inteligível,é considerado pelo filosofo a condição de verdade.Ela abriga os objetos da ciência (epistemé) que são alcançados através do raciocínio (dianóia),nesse segmento também se encontra o supremo bem(noizes) que pode ser alcançado através do exercício da dialética.È através do exercício da dialética que o homem pode alcançar o bem e assim poder governar a polis.

A dialética tem como objetivo buscar o que realmente as coisas são tentando superar a primeira impressão causada pelo sensível. A dialética se realiza em duas etapas: a primeira trabalha utilizando opiniões e crença, e a segunda usando a verdade dialética ultrapassa as demonstrações baseadas em hipóteses, e chegando a essência da coisa a uma unidade (beleza, bondade).
Idéia, para Platão, é tudo aquilo que da vida ao sensível e ao ser, que da a cada um sua forma e sua aparência sensível. E é através da dialética que há possibilidade de entrar em contato com a idéia das coisas e poder alcançar o inteligível.

“Então, disse eu, só o método dialético, eliminando as hipóteses, caminha por ai, na direção do próprio principio a fim de dar firmeza aos resultados e realmente, pouco a pouco, vai arrastando e levando para o alto do olho da alma que está enterrado num pântano bárbaro, tendo como colaboradoras e auxiliares nessa conversão, as artes de que falamos”
                                                 (PLATÃO. A República. Tradução de Anna Lia A. A. Prado. São Paulo: Martins Fontes, 2006.533c-d)

A dialética para Platão é o instrumento eficaz para a busca pela verdade. De certo modo a dialética pode ser compreendida como algo que purifica a alma. Pode ser vistos nos diálogos platônicos onde Sócrates parte de sensos comuns sobre a natureza das coisas (apresentadas pelos seus interlocutores) e conduz o dialogo ate que essas opiniões se mostrem ilusórias e falsas, e então os interlocutores são levados a dimensão mais verdadeira do real.
Na caverna, corresponde em perfeita simetria o que essa discrição exposta sobre as etapas da alma para o alcance da verdade descrita na alegoria da linha dividida. Então o interior da caverna corresponderia a primeiro segmento da linha e tudo que aparece ali. E o lado externo da caverna corresponderia ao segundo segmento da linha, segmento superior. O que existe de diferença entre a caverna e a linha é que o prisioneiro/filosofo após alcançar o ultimo segmento e ao conhecer a verdade se sente na obrigação de retornar a caverna. É a partir do retorno, que o filosofo representante da verdade, se torna dessa maneira após alcançar o inteligível e conhecer o verdadeiro bem, conhece a alma do homem. Tendo essa qualidade o homem/filosofo possui o requisito para se torna o governante da cidade, podendo preservar a integridade das leis e da ordem.
A educação que e necessária para alcançar o inteligível, Platão acredita que deve dar-se inicio na infância, devido ao seu caráter fundador da vida humana, garante que o educador possa passar alguns fundamentos que garantirão uma boa formação cidadã. Nesse tipo de educação da alma alguns têm uma vocação para se tornarem guardiões da cidade. Esses que possuem essa vocação são os filósofos, pois e através dessa educação que dará as ferramentas necessárias para conduzir de forma justa a cidade. Sendo assim essa educação deve possuir uma boa qualidade, pois, ela poderá formar filósofos ou poderá trazer estragos a alma das pessoas com vocação para a filosofia. Essa preocupação com a educação na polis é pelo fato dos alunos serem futuros guardiões dela (polis).
No Livro VI da República, a educação e mostrada como um caminho que fará o homem despertar a necessidade de mudanças e se desapegar das coisas mundanas. Coisas que no mundo sensível muitas vezes são dadas como boas, como a riqueza e o poder físico, muitas vezes podem afastar o homem da filosofia.
Pensando na educação platônica, podemos ver que ela exerce um trabalho como normatizadora, uma tarefa moral, que deve ajustar o individuo na sociedade. E essa educação sendo um caminho para se formar guardiões da polis, ela atinge um campo político de tarefas. O educador por possuir um papel de gerador de luz, ele possui a tarefa de fazer o aluno enxergar a sua existência dentro da esfera política. Assim a consciência do que é o bem para polis começa a ser construído, e o aluno começa a entender que para haver uma polis ideal primeiro é necessário que ele desempenhe seu papel de guardião. A educação esta inteiramente ligada a ação política, por isso ela e desenvolvida pelo filosofo.
A Filosofia para Platão, em o dialogo Fédon, é um exercício para morte, que é a separação do corpo da alma. Morte tem o sentido de acabar tudo aquilo que e considerado como pronto. Nesse mundo atual que vivemos (mundo sensível), a vida é uma preparação para o outro mundo (inteligível). Fazendo uma intertextualidade entre Fédon e os Livros VI e VII da República, podemos dizer que a morte tem um caráter de conhecimento do mundo inteligível e ela nos purifica em seu processo.Ela seria o ato de filosofar,já que a filosofia purifica os elementos sensíveis do pensamento.O trabalho do filosofo então e tentar se desvincular da corpo , para se purificar dos elementos sensíveis, para elevar a alma ao conhecimento do inteligível, enxergando a vida assim como uma preparação para morte.
Esse processo de educação esta presente na vida de quem se dedica a filosofia, e possui sua ação na esfera política, pois é na esfera política que homem/filosofo ira achar o seu trabalho, onde ira achar necessário desempenhar sua existência. Quando ele conseguir enxergar o inteligível ele sentira a necessidade de se tornar o guardião da polis, e ira governá-la com as idéias expostas por Platão, seguindo o ideal de justiça.
A cidade então criada por Platão e primeiramente governada pela moral e pela justiça. Essa justiça na polis deve se vista na relação entre indivíduos e na organização social da polis. Cada indivíduo guiado pela justiça deve exercer o seu dever, e o dever do filosofo é governar a cidade cultivando a justiça.
Conclusão:
Podemos concluir que para Platão, a existência do filosofo esta ligada a esfera política. Em seu processo de educação o filosofo devera olhar o mundo sensível como sendo o mundo sensível, e se acautelando nos conhecimentos gerados por ele, para que assim possa alcançar o mundo inteligível, para possuir o direito de ser o guardião da polis.
O fato de enxergar o mundo sensível como algo não confiável, não impõe que filosofo deve ficar contemplando para sempre o sensível (se assim fosse, o prisioneiro jamais voltaria para caverna depois de enxergar o sol) e sim saber quais são os perigos do mundo sensível. Tendo essa compreensão do mundo sensível e inteligível o filosofo poderá guiar o cotidiano dos homens.
Bibliografia de Apoio:
PLATÃO. A República. Tradução de Anna Lia A. A. Prado. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
______. Fédon. Tradução de Maria Teresa Schiappa de Azevedo. Brasília: Editora da UNB, 2000.
WOLFF, Francis. Filosofia Grega e democracia.
DIXSAUT, Monique. República, livros VI e VII. Lisboa: Didática, 2000.
LEBRUN, Gérard. Sombra e luz em Platão, in NOVAES, A. O olhar. São Paulo, Companhia das. Letras, 1988.
MARQUES, Marcelo P. Aparecer e imagem no livro VI da República. In: PERINE, Marcelo. Sobre o ser e o aparecer, o belo e o bem. São Paulo: Loyola, 2009.
CASERTANO, Giovanni. O bem e a linha. Texto inédito apresentado no X Simpósio da Sociedade Brasileira de Platonistas. Uberlândia, 2009.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010


Universidade Federal de São Carlos.


Curso: Filosofia
Disciplina: Introdução ao Estudo da Filosofia
Aluno: Cristiane Aline Mellado



O homem que medita é um animal depravado.

Ao se dedicar ao estudo da existência da humanidade, Rousseau em sua obra acaba fundindo a historia da humanidade com a sua.
Rousseau expõe uma serie de conseqüências que o homem sofreu ao perder a liberdade natural. Todas as sociedades que viviam sobre repressão como formas de controle com certeza chamaram a atenção do filosofo.
“O tom do jovem Rousseau é a mais freqüentemente o da queixa, em que a parcela da revolta mal se distingue do desejo romanesco de torna-se interessante pela desventura...Reconciliar-se-ia ele com sua sorte, se passasse para o outro lado da barreira, para o lado dos abastados?Seu partido foi tomado bem depressa: sofreu demais com a desigualdade para reconciliar-se por ocasião de um golpe de sorte que resolvesse suas dificuldades. Essa pobreza de que se queixa com freqüência em sua juventude o fará ter cada vez mais convicção de que ela o coloca do lado bom, e ele se vangloriara disso. A desigualdade não e uma experiência que se tem sozinho e não se reduz ao sentimento de inferioridade: a desigualdade e uma sorte comum, experimentada solidariamente. Rousseau foi definitivamente sensibilizado pelo que viu da miséria camponesa e da pobreza das cidades”.
(STAROBINSKI, Jean. Jean-Jacques Rousseau: a transparência e o obstáculo; seguido de sete ensaios sobre Rousseau. Tradução Maria Lucia Machado. São Paulo: Companhia das Letras,1991.pag.289-290)

Com seu olhar e suas idéias Rousseau nos mostra sua filosofia sobre a condição humana. Condição de desigualdade vivida em uma Europa dividida em segmentos sociais dentro da sociedade.
“Por que, senhora, existem corações sensíveis ao grande, ao sublime, ao patético, enquanto outros parecem feitos unicamente para rastejar na baixeza de seus sentimentos?A fortuna parece ter para isso uma espécie de compensação;a força de elevar estes últimos,procura nivelá-los com a grandeza dos outros.”
(A. Senhora de Warens,13 de setembro de 1737.Correspondance generale,DP,1,p.58;l,1,p.49.)
Ao desenvolver de sua obra, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, vemos como destruímos a liberdade natural. Começando onde supostamente a humanidade vivia em harmonia com a natureza.
“Vejo-o fartando-se sob um carvalho, refrigerando-se no primeiro riacho, encontrando seu leito ao pé da mesma arvore que lhe forneceu o repasto e, assim, satisfazendo a todas suas necessidades”
(Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.42)
Se mantido o cotidiano baseado na satisfação de suas necessidades, o equilíbrio, entre os homens (natureza e homem) estaria garantido. “Sua relação com o mundo circundante se estabelece no equilíbrio perfeito: o individuo faz parte do mundo, e o mundo faz parte do individuo”. (STAROBINSKI,Jean.Jean-Jacques Rousseau:a transparência e o obstáculo;seguido de sete ensaios sobre Rousseau.Tradução Maria Lucia Machado.São Paulo:Companhia das Letras,1991.pp298).O homem em seu estado natural,vivendo rusticamente ,não esta sujeito a escravidão social.Sendo assim o surgimento de uma estrutura civilizadora ,o homem, esta condenado a escravidão,e a desigualdade.E para o filosofo é dentro dessa estrutura social que a liberdade do homem é extinta.
”Nesse processo que se define literalmente como uma desarticulação, o homem, abandonando sua primeira e brutal amoralidade, não se torna moral senão para se crê bom e se tornar mal. A desigualdade começa logo que o repouso primitivo da o lugar ao devir”
 (STAROBINSKI,Jean.Jean-Jacques Rousseau:a transparência e o obstáculo;seguido de sete ensaios sobre Rousseau.Tradução Maria Lucia Machado.São Paulo:Companhia das Letras,1991.pag.299)
Em seu discurso Rousseau mostra como o homem natural fez um esforço enorme para perder sua liberdade.
Na conclusão da primeira parte do discurso, Rousseau revela sua empreitada:
“Confesso que os acontecimentos que tenho de descrever podendo sobrevir de inúmeros modos, só por conjeturas posso decidir-me na escolha. Mas, alem dessas conjeturas se tornarem verdadeiras razoes quando são as mais prováveis que se possam extrair da natureza das coisas e os únicos meios que possamos ter para descobrir a verdade, as conseqüências que eu quero deduzir das minhas conjeturas, por isso não serão conjeturais, porquanto, sobre os princípios que acabo de assentar, não se poderia estabelecer nenhum outro sistema que me fornecesse os mesmo resultados e do qual pudesse inferir as mesmas conclusões.”
(Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.63)
Rousseau explica que um acontecimento histórico pode-se explicar empiricamente documentada, ou por hipóteses explicativas. Se as hipóteses explicativas foram consideradas verdadeiras necessariamente. Suas conseqüências também serão verdadeiras. Rousseau diz:
“Isso me dispensara de estender minhas reflexões sobre a maneira pela qual o discurso de tempo compensa e pequena verossimilhança dos acontecimentos; sobre o poderio impressionante de causas minúsculas quando agem sem interrupção: sobre a impossibilidade de, por um lado destruírem-se certas hipóteses, no caso de estar-se, de outro lado, impossibilitado de lhes atribuir o grau de certeza de fato; sobre a razão pela qual sendo dois fatos considerados como bastante reais para ligar uma seqüência de fatos intermediários, desconhecidos ou considerados como tais cabem a historia,quando existe,apresentar os fatos que os ligam e porque, faltando a historia, á filosofia cabe determinar os fatos semelhantes que podem ligá-los...”
(Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.63)
Essas hipóteses explicativas são o caminho de acontecimentos verossímeis que ajudam e possibilitam o leitor historiador a, acompanhar a narrativa do filosofo. Um exemplo da aplicação desse método:
“É muito difícil conjeturar como os homens chegaram a conhecer e a empregar o ferro, pois não e crível que tenham imaginado por si mesmos extrair a matéria da mina e dar-lhe o preparo necessário pó-la em fusão, antes de saber o que resultaria disso. por outro lado, menos ainda se poderá atribuir essa descoberta a algum incêndio acidental, visto que as minas se formar em lugares áridos desprovidos de arvores e plantas, podendo-se ate imaginar que a natureza tomara precauções para esconder-nos esse segredo fatal. Não resta, pois, senão a circunstancia extraordinária de algum vulcão que, vomitando matérias metálicas em fusão, deu aos observadores a idéia de imitar essa operação da natureza. precisa-se ainda supor, nesses observadores muita coragem e previdência para apreender um trabalho tão penoso e imaginar, com tal antecedência, as vantagens que dele poderiam tirar, coisa que só tentariam espíritos já mais desenvolvidos do que esses deveriam ser.
(Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.69)
A partir de um acontecimento (utilização do ferro) que se escolhe a hipótese mais verossímil,.Rousseau não sustenta seu argumento em demonstração empírica e sim em uma serie de raciocínios que permitem uma explicação coerente e com conexão entre outras.Outro exemplo do uso de hipóteses:
“Tal foi ou deveu ser a origem da sociedade e das leis que deram novos entraves ao fraco e novas forças ao rico, destruíram irremediavelmente a liberdade natural, fixaram para sempre a lei da propriedade e da desigualdade, fizeram de uma usurpação sagaz um direito irrevogável e, para lucro de alguns ambiciosos, daí por diante sujeitaram todo o gênero humano ao trabalho, a servidão e a miséria.”
(Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, p.74)
A formulação das teorias explicativas é resultado de uma avaliação das teorias explicativas onde Rousseau formula as teorias em enunciados e dentro desses enunciados analisa o significado dos conceitos. Podendo utilizar apenas a preposição mais razoável.
O discurso por raciocínios hipotéticos que buscam esclarecer o assunto em questão:
“É preciso notar bem que o estado de natureza não é um imperativo moral; não e uma norma pratica, a qual seriamos convidados a nos adequar: é um postulado teórico,mas que recebe uma evidencia quase concreta,pela virtude de uma linguagem que sabe dar ao imaginário todas as características da presença.”
(STAROBINSKI,Jean.Jean-Jacques Rousseau:a transparência e o obstáculo;seguido de sete ensaios sobre Rousseau.Tradução Maria Lucia Machado.São Paulo:Companhia das Letras,1991.pag.300)
O filosofo não esta interessado em narrar uma historia dos homens, e sim, compreender a sua atualidade.
Estado Natural
“Vejo-o fartando-se sob um carvalho, refrigerando-se no primeiro riacho, encontrando seu leito ao pé da mesma arvore que lhe forneceu o repasto e, assim satisfazendo a toas as suas necessidades”
(Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.42)
No seu estado natural, o homem Rousseauniano,não se limita perante seu corpo,possuidor da perfectibilidade,se supera quando faz atividade coletivas.
È em conjunto que ele encontra toda sua força, pois apesar de estar ligado a natureza movimenta-se de forma diferente.
Para Rousseau a perda da liberdade esta relacionada com a capacidade reflexiva do homem. E as conseqüências, dessa capacidade, superação de obstáculos naturais, alteraram o cotidiano da humanidade.
O homem lutou contra sua natureza. Palavras de Rousseau:
“Se ela nos destinou a sermos sãos, ouso quase assegurar que o estado de reflexão é um estado contrario a natureza e que o homem que medita é um animal depravado.” (Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.45)
Durante o estado natural o homem não conheceu a desigualdade. A partir do momento que o homem reconheceu o ‘eu’, e percebeu a existência de outro (seu semelhante) o homem natural criou uma dinâmica de intencionalidades, onde a comparação será o referencial.
“Seria triste, para nos, vermo-nos forçados a convir que seja essa faculdade, distintiva e quase ilimitada, a fonte de todos os males do homem; que seja ela que, com o tempo o tira dessa condição original na qual passaria dias tranqüilos e inocentes; que seja ela que, fazendo com que através dos séculos desabrochem suas luzes e seus erros, seus vícios e virtudes, o torno com o tempo tirano de si mesmo e da natureza.” (Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.47)
O trecho acima Rousseau, mostra a conseqüências da perfectibilidade do homem. Assim à medida que o homem renega sua estrutura original, entra no caminho da escravidão. A liberdade humana possibilita a escravidão. Sua vontade e seu querer levaram a construção de uma sociedade desigual. Então a sociedade nada mais é que conseqüência do desenvolver da perfectibilidade. Como diz Rousseau.
“Apesar do que dizem os moralistas, o entendimento humano muito deve as paixões, que, segundo uma opinião geral, lhe deve também muito. É pela sua atividade que nossa razão se aperfeiçoa; só procuramos conhecer por que desejamos usufruir e impossível conceber por que aquele, que não tem desejos ou temores, dar-se-ia a pena de raciocinar.” (Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.48)
Durante o estado natural o homem procura se superar, então os homens movidos por suas paixões, conseguiram dinamizar suas vidas. A partir das paixões nasceram os raciocínios, e com, ele a superação dos obstáculos naturais.
“As paixões por sua vez, encontraram sua origem em nossas necessidades e seu progresso em nossos conhecimentos, pois só se pode desejar ou temer as coisas segundo as idéias que delas se possa fazer ou pelo simples impulso da natureza; o homem selvagem, privado de toda espécie de luzes, só experimenta as paixões desta ultima espécie, não ultrapassando, pois, seus desejos a suas necessidades físicas” (Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.48)
O homem natural segue os impulsos da natureza. O homem civil segue as paixões que adquire das idéias que tem das coisas. O homem civilizado que algo que esta além das suas necessidades físicas. E para satisfazer essa necessidade elabora um plano. Isso move nosso conhecimento.
Conclusão
Para o Filosofo, a maioria dos autores que se propuseram a discutir o ideal do homem natural, se perdem e se equivocam ao atribuir aspectos do homem civil, ao homem natural.
“Não iremos, sobretudo concluir que com Hobbes que, por não ter nenhuma idéia de bondade, seja o homem naturalmente mau; que seja corrupto por que não conhece a virtude; que nem sempre recusa a seus semelhantes serviços que não crê dever-lhes serviços que não às coisas que necessita, loucamente imagine ser o proprietário do universo” (Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.56)
Para Rousseau, Hobbes errou ao atribuir características sociais ao homem natural, como o homem natural querer saciar todas as suas paixões. O filosofo comenta sobre Hobbes:
 “Ele diz justamente o contrario por ter incluído, inoportunamente, no desejo de conservação do homem selvagem a necessidade de satisfazer uma multidão de paixões que são obra da sociedade e que te tornaram as leis necessárias” (Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.56)
As limitações do homem natural impedem de praticar as suas faculdades. Vivendo apenas para saciar suas necessidades o homem se encontravam em um estado de tranqüilidade. Isso limitava a agressividade do homem natural e segundo Rousseau, superou varias vezes o desejo de conservação e de amor-próprio. E muitas vezes tentou amenizar a dor do seu semelhante, o autor denominou essa ação como piedade. Assim a piedade e o amor-de-si fazem parte do homem natural diferenciando o homem natural do homem civil.
Quando o amor-próprio substitui o amor-de-si e a piedade, impede a manifestação de solidariedade perante o semelhante. Com o amor-próprio dominante no homem, seu maior objetivo é superar o semelhante, mesmo que isso o leve a ferir o próximo:
“Podem impunemente degolar um seu semelhante sob sua janela, ele só terá de levar às mãos as orelhas e ponderar um pouco consigo mesmo para impedir a natureza, que nele se revolta, de identificar-se com aquele que se assassina” (Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.58)
A piedade funcionava como uma lei natural que impedia acontecer uma luta de homem contra homem, que respeitava a liberdade.
Com o desenvolver das paixões (estado civil) novas leis devem ser criadas para controlar a violência gerada por elas, o homem assim perde a liberdade. No estado natural e ao inverso, a liberdade é comum a todos, como na alimentação onde apenas o obstáculo e a natureza. Nenhum homem explorava o outro.
“Sem prolongar inutilmente esses detalhes, cada qual deve ver como,por serem os laços da servidão formados unicamente pela dependência mutua dos homens e pelas necessidades recíprocas que os unem,é impossível subjugar um homem sem antes te-lo colocado na situação de não viver sem o outro, situação essa que, por não existir no estado de natureza, nele deixa um livre jugo e torna inútil a lei do mais forte” (Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, pag.62)
No estado civil o homem esta se afastando da liberdade, sendo que felicidade natural não existe mais e o signo da servidão colocou “de um lado as riquezas e as conquistas, e do outro, a felicidade e a virtude”.






Referencias bibliográficas.
STAROBINSKI,Jean.Jean-Jacques Rousseau:a transparência e o obstáculo;seguido de sete ensaios sobre Rousseau.Tradução Maria Lucia Machado.São Paulo:Companhia das Letras,1991.
Rousseau, Jean-Jacque. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens.