Meu trabalho final de Antiga 1 ...
O Filosofo nos livros VI e VII da República de Platão.
Irei mostrar nesse trabalho a relação entre a política no pensamento platônico, e a formação (educação) da alma do filosofo que devera governar a cidade. A obra analisada é A República, Livros VI e VII, onde Platão descreve o seu ideal de justiça que será o caminho que o filosofo devera seguir, para governar a cidade idealizada por ele. Irei utilizar também o Dialogo Fédon, a fim de explicar como a filosofia é um exercício de vida, para a morte.
Na Filosofia Platônica a educação esta inteiramente liga a política, pois é através da educação que a alma do filosofo atingira a condição de governante da polis.
Na República nos livros VI e VII, Platão utiliza das alegorias para deixar em foco a natureza do corpo, da alma, e a natureza do bem. Através da educação da alma e do corpo, o homem ira enxergar que o bem é o saber mais elevado que ele pode alcançar. Na alegoria da linha esse caminho que devera ser percorrido pela alma do filosofo é exposto. Platão nessa alegoria nos convida a imaginar uma linha que possui a função de mostrar a relação entre corpo e alma. As duas partes humanas, corpo e alma, pertencem a duas espécies distintas e complementares: a sensível (visível) e a inteligível (invisível). A primeira espécie, a sensível (eíkones), é divida em duas partes: a dimensão que conhecemos as coisas através de suposição (eikasía) e a dimensão dos seres vivos e artefatos que conhecemos através da fé (pístis,dóxa).Essa espécie de sensível se refere a esfera das aparências(da dóxa),uma forma deficiente do ser.Muitas vezes o seu ser aparece como sendo verdade,porem as vezes,obscurece o espírito quando aparece em forma de não-verdade.Todo conhecimento obtido através da suposição e fé,pertence a dimensão da opinião.Nesse segmento da linha,os homens não possuem a verdade,consideram apenas as coisas como elas aparecem diante deles.Esse segmento pertence aos homens do cotidiano que se acomodam ,aceitam os fatos como eles o aparecem,não buscando a sua verdadeira origem.Por causa disso que o cotidiano se apresenta como a morada da não-verdade,pois ela faz do cotidiano um lugar das aparências.O segmento da linha que representa o inteligível,é considerado pelo filosofo a condição de verdade.Ela abriga os objetos da ciência (epistemé) que são alcançados através do raciocínio (dianóia),nesse segmento também se encontra o supremo bem(noizes) que pode ser alcançado através do exercício da dialética.È através do exercício da dialética que o homem pode alcançar o bem e assim poder governar a polis.
A dialética tem como objetivo buscar o que realmente as coisas são tentando superar a primeira impressão causada pelo sensível. A dialética se realiza em duas etapas: a primeira trabalha utilizando opiniões e crença, e a segunda usando a verdade dialética ultrapassa as demonstrações baseadas em hipóteses, e chegando a essência da coisa a uma unidade (beleza, bondade).
Idéia, para Platão, é tudo aquilo que da vida ao sensível e ao ser, que da a cada um sua forma e sua aparência sensível. E é através da dialética que há possibilidade de entrar em contato com a idéia das coisas e poder alcançar o inteligível.
“Então, disse eu, só o método dialético, eliminando as hipóteses, caminha por ai, na direção do próprio principio a fim de dar firmeza aos resultados e realmente, pouco a pouco, vai arrastando e levando para o alto do olho da alma que está enterrado num pântano bárbaro, tendo como colaboradoras e auxiliares nessa conversão, as artes de que falamos”
(PLATÃO. A República. Tradução de Anna Lia A. A. Prado. São Paulo: Martins Fontes, 2006.533c-d)
A dialética para Platão é o instrumento eficaz para a busca pela verdade. De certo modo a dialética pode ser compreendida como algo que purifica a alma. Pode ser vistos nos diálogos platônicos onde Sócrates parte de sensos comuns sobre a natureza das coisas (apresentadas pelos seus interlocutores) e conduz o dialogo ate que essas opiniões se mostrem ilusórias e falsas, e então os interlocutores são levados a dimensão mais verdadeira do real.
Na caverna, corresponde em perfeita simetria o que essa discrição exposta sobre as etapas da alma para o alcance da verdade descrita na alegoria da linha dividida. Então o interior da caverna corresponderia a primeiro segmento da linha e tudo que aparece ali. E o lado externo da caverna corresponderia ao segundo segmento da linha, segmento superior. O que existe de diferença entre a caverna e a linha é que o prisioneiro/filosofo após alcançar o ultimo segmento e ao conhecer a verdade se sente na obrigação de retornar a caverna. É a partir do retorno, que o filosofo representante da verdade, se torna dessa maneira após alcançar o inteligível e conhecer o verdadeiro bem, conhece a alma do homem. Tendo essa qualidade o homem/filosofo possui o requisito para se torna o governante da cidade, podendo preservar a integridade das leis e da ordem.
A educação que e necessária para alcançar o inteligível, Platão acredita que deve dar-se inicio na infância, devido ao seu caráter fundador da vida humana, garante que o educador possa passar alguns fundamentos que garantirão uma boa formação cidadã. Nesse tipo de educação da alma alguns têm uma vocação para se tornarem guardiões da cidade. Esses que possuem essa vocação são os filósofos, pois e através dessa educação que dará as ferramentas necessárias para conduzir de forma justa a cidade. Sendo assim essa educação deve possuir uma boa qualidade, pois, ela poderá formar filósofos ou poderá trazer estragos a alma das pessoas com vocação para a filosofia. Essa preocupação com a educação na polis é pelo fato dos alunos serem futuros guardiões dela (polis).
No Livro VI da República, a educação e mostrada como um caminho que fará o homem despertar a necessidade de mudanças e se desapegar das coisas mundanas. Coisas que no mundo sensível muitas vezes são dadas como boas, como a riqueza e o poder físico, muitas vezes podem afastar o homem da filosofia.
Pensando na educação platônica, podemos ver que ela exerce um trabalho como normatizadora, uma tarefa moral, que deve ajustar o individuo na sociedade. E essa educação sendo um caminho para se formar guardiões da polis, ela atinge um campo político de tarefas. O educador por possuir um papel de gerador de luz, ele possui a tarefa de fazer o aluno enxergar a sua existência dentro da esfera política. Assim a consciência do que é o bem para polis começa a ser construído, e o aluno começa a entender que para haver uma polis ideal primeiro é necessário que ele desempenhe seu papel de guardião. A educação esta inteiramente ligada a ação política, por isso ela e desenvolvida pelo filosofo.
A Filosofia para Platão, em o dialogo Fédon, é um exercício para morte, que é a separação do corpo da alma. Morte tem o sentido de acabar tudo aquilo que e considerado como pronto. Nesse mundo atual que vivemos (mundo sensível), a vida é uma preparação para o outro mundo (inteligível). Fazendo uma intertextualidade entre Fédon e os Livros VI e VII da República, podemos dizer que a morte tem um caráter de conhecimento do mundo inteligível e ela nos purifica em seu processo.Ela seria o ato de filosofar,já que a filosofia purifica os elementos sensíveis do pensamento.O trabalho do filosofo então e tentar se desvincular da corpo , para se purificar dos elementos sensíveis, para elevar a alma ao conhecimento do inteligível, enxergando a vida assim como uma preparação para morte.
Esse processo de educação esta presente na vida de quem se dedica a filosofia, e possui sua ação na esfera política, pois é na esfera política que homem/filosofo ira achar o seu trabalho, onde ira achar necessário desempenhar sua existência. Quando ele conseguir enxergar o inteligível ele sentira a necessidade de se tornar o guardião da polis, e ira governá-la com as idéias expostas por Platão, seguindo o ideal de justiça.
A cidade então criada por Platão e primeiramente governada pela moral e pela justiça. Essa justiça na polis deve se vista na relação entre indivíduos e na organização social da polis. Cada indivíduo guiado pela justiça deve exercer o seu dever, e o dever do filosofo é governar a cidade cultivando a justiça.
Conclusão:
Podemos concluir que para Platão, a existência do filosofo esta ligada a esfera política. Em seu processo de educação o filosofo devera olhar o mundo sensível como sendo o mundo sensível, e se acautelando nos conhecimentos gerados por ele, para que assim possa alcançar o mundo inteligível, para possuir o direito de ser o guardião da polis.
O fato de enxergar o mundo sensível como algo não confiável, não impõe que filosofo deve ficar contemplando para sempre o sensível (se assim fosse, o prisioneiro jamais voltaria para caverna depois de enxergar o sol) e sim saber quais são os perigos do mundo sensível. Tendo essa compreensão do mundo sensível e inteligível o filosofo poderá guiar o cotidiano dos homens.
Bibliografia de Apoio:
PLATÃO. A República. Tradução de Anna Lia A. A. Prado. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
______. Fédon. Tradução de Maria Teresa Schiappa de Azevedo. Brasília: Editora da UNB, 2000.
WOLFF, Francis. Filosofia Grega e democracia.
DIXSAUT, Monique. República, livros VI e VII. Lisboa: Didática, 2000.
DIXSAUT, Monique. República, livros VI e VII. Lisboa: Didática, 2000.
LEBRUN, Gérard. Sombra e luz em Platão, in NOVAES, A. O olhar. São Paulo, Companhia das. Letras, 1988.
MARQUES, Marcelo P. Aparecer e imagem no livro VI da República. In: PERINE, Marcelo. Sobre o ser e o aparecer, o belo e o bem. São Paulo: Loyola, 2009.
CASERTANO, Giovanni. O bem e a linha. Texto inédito apresentado no X Simpósio da Sociedade Brasileira de Platonistas. Uberlândia, 2009.